
Escrevo este editorial ainda tomado pelo êxtase do que vivemos em Paraty. Realizamos a maior e, para nós, a melhor Casa da Favela desde que esse sonho nasceu.
Durante a FLIP, construímos uma casa cheia de literatura, música, encontros, empreendedorismo, afeto e, principalmente, gente. Uma casa onde a favela não foi convidada para ocupar um espaço: ela criou o seu próprio espaço e mostrou a sua potência para o Brasil.
Talvez seja justamente essa a palavra que melhor explique esta quarta edição da Favela S/A: construção.
Nossa capa traz João Diamante, chef, empreendedor e educador que compreendeu que gastronomia pode ser muito mais do que comida. Pode ser conhecimento, oportunidade e transformação. Seu projeto Diamante na Cozinha já formou mais de 400 pessoas e impactou mais de 6 mil; com o Cozinha de Favela, esse alcance já ultrapassou 1,8 milhão de pessoas. João nos lembra de algo essencial: ninguém chega sozinho. A transformação que queremos é coletiva.
E é dessa construção coletiva que nasce também um dos projetos mais importantes que a Agência de Notícias das Favelas realiza neste momento: o Favela Empreendedora – Mulheres em Movimento. Nesta edição, Káliman Chiappini, coordenadora–geral do projeto, apresenta a metodologia e anuncia a abertura do edital que selecionará 50 mulheres. Cada uma receberá formação, mentorias, acompanhamento e R$ 15 mil de capital semente, totalizando R$ 750 mil investidos diretamente nos empreendimentos. É um projeto que nasce para gerar renda, autonomia, conhecimento e possibilidades concretas de futuro.
Também temos a alegria de contar nesta edição com a participação do Sebrae, parceiro fundamental quando falamos de empreendedorismo e desenvolvimento. O artigo de seu presidente reforça algo que está no DNA desta revista: apoiar quem empreende nas periferias é promover inclusão produtiva, reduzir desigualdades e ampliar oportunidades.
E seguimos abrindo caminhos. Lançamos a Loja da Casa da Favela, uma nova vitrine para livros, publicações, arte e produtos que carregam histórias e identidades das periferias. Mais do que vender, queremos fazer circular. Fazer com que aquilo que nasce nas favelas atravesse cidades, estados e fronteiras — da favela para o mundo.
Nas páginas seguintes, vocês ainda encontrarão histórias de quem transforma a estética afro em renda e identidade, de mulheres que constroem negócios no setor da beleza, de arte, música, criatividade e empreendedores que começaram com pouco, mas nunca pensaram pequeno.
A Favela S/A chega à quarta edição cada vez mais certa da razão de sua existência. Não queremos apenas contar histórias de pessoas que venceram. Queremos ajudar a construir um país onde milhões de outras pessoas também tenham condições de vencer.
Porque a favela não está esperando o futuro chegar. Ela está construindo o futuro. E nós queremos contar essa história enquanto ela acontece.
André Fernandes Fundador da Agência de Notícias das Favelas Diretor da Revista Favela S/A









