Em Rondônia, o Pró-Catadores se estrutura em bases sólidas com a participação efetiva do Sebrae

Uma população criativa, capaz de superar seus desafios e construir sua cidadania com determinação e muita vontade de vencer. O último censo aponta que o Brasil possui 16 milhões de pessoas (mais de 8% da população do país), que moram em favelas. É dentro deste coração que pulsa o sonho de milhões de brasileiros e brasileiras. Cerca de 5,2 milhões de pessoas que habitam essas comunidades urbanas fazem do empreendedorismo a principal fonte de renda.

As favelas traduzem a complexidade e a força da vida brasileira. São territórios que revelam as marcas da desigualdade, mas, ao mesmo tempo, o talento criativo de um povo que não desiste. Simbolizam a ausência histórica de políticas públicas essenciais, como educação, saúde, segurança, saneamento. Mas também são berço de cultura, potência econômica, diversidade e de resistência.

Ali, vivem famílias, crianças, trabalhadores e trabalhadoras que, todos os dias, reinventam seu futuro diante das adversidades. A favela não pode ser reduzida a estigma ou preconceito. Ela é território de humanidade. É lugar onde se cria, se empreende, se sonha e se ama. Apesar das dificuldades, é também expressão de coragem e de força, onde milhares de mães, pais e jovens constroem suas vidas com dignidade.

Mesmo historicamente invisibilizadas, as favelas exercem uma participação surpreendente na economia urbana. Muitos de seus moradores são empreendedores natos: abrem mercearias, salões de beleza, oficinas, pequenas fábricas e negócios diversos que movimentam suas comunidades e geram renda. Esses microempreendimentos, embora de pequeno em porte, produzem impacto considerável na economia brasileira. Além disso, as favelas constituem importantes mercados consumidores, impulsionando empresas e trabalhadores de todas as regiões.

Segundo pesquisas recentes, essas comunidades têm renda total de R$ 300 bilhões por ano. Além disso, em um prazo temporal de três meses, 55% dos moradores de favelas, o equivalente a mais de 6 milhões e meio de pessoas, compraram produtos de beleza, enquanto 41%, ou 5 milhões de pessoas, adquiriram itens de vestuário. A compra de itens pela internet já é um hábito para 60% dos moradores das favelas.

Com esse olhar atento à realidade brasileira, o Sebrae estruturou um amplo programa de desenvolvimento territorial cujo eixo central é a Inclusão Produtiva. Este trabalho se estende em uma série de ações, que começam a gerar resultados concretos.

Para ampliar o alcance das iniciativas, o Sebrae firmou parcerias estratégicas com o governo federal por meio dos ministérios do Desenvolvimento e Assistência Social; do Trabalho e Emprego; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além da Secretaria Nacional da Juventude, e com instituições do terceiro setor. Somente em 2024, 99% dos empregos gerados pelo Caged foram ocupados pelo público do Cadastro Único. Além disso, a instituição tem atuado para aproximar o desenvolvimento social do desenvolvimento econômico, por meio da atuação concreta nesses territórios. O objetivo é incentivar os assistidos pelos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) a frequentar os cursos nas salas do empreendedor, que hoje já somam quase 3 mil e 500 espalhadas por todo o país.

Em Rondônia, o Pró-Catadores se estrutura em bases sólidas com a participação efetiva do Sebrae

A inclusão socioprodutiva é prioridade e se reflete também por meio do Pró-Catadores. Em nível nacional, o Projeto Pró-Catadores já está rodando em 18 estados brasileiros, nas cinco regiões brasileiras, e tem como meta atender 5.770 catadores e 333 cooperativas em 2025. Um dos passos importantes também passa pela formalização, pois o empreendedor percebe que quando formaliza consegue aumentar sua renda em até 25%. Isso porque à medida que se formaliza, o empreendedor passa a participar de compras públicas, além de outros benefícios, como a emissão de nota fiscal, a inserção no sistema previdenciário e a conexão com políticas públicas de incentivo à contratação de serviços de microempreendedores individuais.

A formalização também abre as portas para o acesso ao crédito. O Sebrae não funciona como banco, mas oferece crédito assistido e orienta os empreendedores sobre as linhas disponíveis em bancos comunitários, cooperativas de crédito e outras instituições financeiras que atuam em favelas, facilitando o acesso ao capital de giro ou investimento. Desde o início do Programa Acredita Sebrae já foi viabilizado quase R$ 10 bilhões de crédito assistido com o fundo de aval do Sebrae (FAMPE). Em 2025, deve-se chegar a R$ 12 bilhões.

São ações efetivas que permitem que essas famílias possam superar as dificuldades. Dessa forma, com geração de emprego e renda. É preciso criar oportunidades para que se tornem ativamente produtivos e capazes.

Acreditamos profundamente no talento e na capacidade de transformação das populações das favelas brasileiras. Valorizamos cada empreendedor e empreendedora que, com esforço próprio, gera trabalho, qualifica pessoas e faz a economia acontecer. É por essas pessoas que o Sebrae trabalha entregando resultados reais para uma parte essencial do povo brasileiro. O Sebrae atua para que a população que está na favela também realize o seu sonho de empreender.