(Image gerada por Inteligência Artificial)

Artigo

Durante muito tempo, o empreendedorismo nas favelas esteve concentrado no comércio local e nos serviços presenciais. Com a popularização da internet e o avanço do acesso à tecnologia, esse cenário passou por uma transformação significativa. Hoje, a favela também é digital, conectada e, acima de tudo, cada vez mais empreendedora.

A internet deixou de ser apenas um espaço de entretenimento e passou a desempenhar um papel central na geração de renda, na autonomia financeira e na mobilidade social. Para muitos moradores de comunidades, o ambiente digital abriu portas para mercados e oportunidades antes inacessíveis, permitindo que talentos, produtos e serviços ganhassem visibilidade para além do território físico.

O avanço da conectividade foi impulsionado, sobretudo, pelos smartphones. Segundo o IBGE, em 2024, o Brasil tinha 167,5 milhões de pessoas de 10 anos ou mais com telefone celular pessoal, representando 88,9% dessa população. Apesar das limitações estruturais, o celular tornou-se a principal ferramenta de acesso ao mundo digital, possibilitando comunicação, aprendizado e, principalmente, trabalho. Planos populares, Wi-Fi comunitário e compartilhamento de internet ajudaram a ampliar esse acesso, a fim de conectar moradores com clientes e parceiros em qualquer lugar.

Nesse contexto, o celular assume múltiplas funções: escritório, vitrine, canal de vendas e atendimento ao cliente. Aplicativos gratuitos permitem divulgar serviços, negociar diretamente com consumidores, receber pagamentos e criar relacionamento com o público. Assim, a internet democratiza o empreendedorismo e reduz custos iniciais, permitindo que mais pessoas possam iniciar seus negócios.

Hoje, esse empreendedorismo digital se expressa de diversas formas. A venda pelas redes sociais cresce continuamente com roupas, gastronomia, cosméticos, artesanato e produtos personalizados. Ao mesmo tempo, surgem serviços como design, edição, fotografia, social media, produção de conteúdo e atuação como afiliados ou criadores digitais. Instagram, TikTok e WhatsApp se consolidam como plataformas estratégicas. A linguagem próxima, a identidade cultural e a autenticidade fortalecem a confiança e criam conexão direta com o público.

Além disso, a internet contribui para dar visibilidade a bares, restaurantes, marcas locais e serviços que, muitas vezes, antes só atingiam consumidores dentro da própria comunidade. Agora, histórias reais ganham repercussão, vídeos viralizam, negócios recebem novos clientes e, acima de tudo, a favela passa a ser reconhecida como lugar de potência, criatividade e inovação.

Entretanto, ainda existem desafios. A falta de crédito, preconceitos estruturais e instabilidade de conexão dificultam a expansão desses negócios. Ainda assim, apesar disso, o empreendedorismo digital tem promovido autonomia, fortalecido a autoestima e estimulado o protagonismo local.

É justamente nesse cenário que nasce uma nova fase de fortalecimento da comunicação comunitária. Como gestor do portal da Agência de Notícias das Favelas e, agora, gestor do portal FavelaSA, me sinto honrado em poder contribuir para essa transformação. O FavelaSA surge com a finalidade de ser mais do que um portal: será uma plataforma de fortalecimento, inspiração e oportunidade para empreendedores das favelas. Sua missão é dar visibilidade a quem constrói, cria, luta e empreende dentro das periferias brasileiras.

O portal terá linguagem clara, simples e acessível, para que todos possam compreender e se apropriar das informações. Trará histórias reais de empreendedores, notícias sobre economia e inovação, dicas práticas de gestão, marketing digital e finanças, além de ferramentas que ajudem no crescimento dos negócios. Ao mesmo tempo, mostrará oportunidades de capacitação, editais, cursos, parcerias e caminhos para formalização.

O FavelaSA também será um espaço de valorização da identidade periférica, de troca de experiências e de construção coletiva. Porque, acima de tudo, empreender na favela é diferente: envolve criatividade, resiliência, inteligência social e, muitas vezes, sobrevivência. Por isso, é essencial ter um portal que fale nessa linguagem, represente essa realidade e fortaleça esse movimento.

A internet continua sendo ponte para novas trajetórias. E, agora, com mais informação, apoio e visibilidade, os empreendedores das favelas terão mais ferramentas para crescer, prosperar e transformar suas histórias e suas comunidades.