Projeto Social Visão do Bem leva exames de vista a pessoas que não têm acesso

Um dos grandes desafios de quem mora nas comunidades e periferias é o acesso a serviços de saúde, e a oftalmologia é um deles. A espera por uma consulta pode durar meses e até anos, e muitas pessoas – que têm condições de pagar – buscam locais particulares para fazer uma consulta oftalmológica.

Com base nisso, um projeto decidiu ajudar moradores dessas localidades com exames de vista gratuitos ou a preços acessíveis. É o projeto Social Visão do Bem, criado em 2017 no Morro de São Carlos, no bairro do Estácio, Zona Norte do Rio, pela advogada e empreendedora social Ana Lúcia Barbosa dos Santos, nascida e criada na favela do Alemão. A iniciativa nasceu de uma necessidade real: a dificuldade de encontrar óculos de qualidade a preços justos.

“O Social Visão do Bem nasceu do desejo de democratizar o acesso à saúde ocular em comunidades que enfrentam grandes barreiras de atendimento. A iniciativa surgiu para preencher um vazio deixado pela dificuldade de acesso a consultas oftalmológicas e pelo alto custo de armações e lentes, fatores que muitas vezes impedem crianças de aprender na escola e adultos de exercerem suas atividades profissionais com plenitude”, diz Ana.

Divulgação

De acordo com a fundadora, o projeto tinha como objetivo inicial resolver o problema da exclusão social devido à demora no atendimento público. “O projeto não nasceu apenas para entregar óculos, mas para oferecer uma solução sistêmica que une saúde pública, preservação do meio ambiente e o protagonismo feminino no empreendedorismo social”, conta.

O projeto busca ajudar principalmente empreendedoras locais, pois, segundo Ana, a visão não é apenas uma questão de saúde, mas uma ferramenta fundamental de trabalho e autonomia. Com isso, há aumento da produtividade e da renda, extensão da vida útil profissional, rompimento de barreiras educacionais e digitais, dentre outros benefícios.

“O custo de um par de óculos é relativamente baixo quando comparado ao retorno financeiro que ele proporciona. Em termos de investimento social, a saúde ocular é uma das intervenções com maior retorno sobre o investimento (ROI), pois transforma a capacidade de geração de valor de um indivíduo quase instantaneamente”, diz Ana Lúcia.

Atualmente, o Social Visão do Bem atua em 55 comunidades do Rio de Janeiro, como Rocinha e a Maré. Além da forte presença em território fluminense, a iniciativa expandiu seu impacto para outros estados brasileiros, como Pernambuco, Minas Gerais e São Paulo, por meio de suas “Caravanas da Saúde Ocular”. Além das favelas, o projeto também atua em outras cidades do país e em escolas públicas, buscando combater a evasão escolar causada por problemas de visão. Ao todo, cerca de 15 mil óculos foram vendidos e 6 mil doados.

Para a fundadora, a relação que o Social Visão do Bem estabelece entre a saúde ocular e a estabilidade financeira não é apenas assistencial, mas estrutural. “O projeto enxerga os óculos não como um acessório, mas como um ativo econômico”, diz.

Equipe do projeto em Campo Verde-MT

Ela conta que um dos impactos mais sentidos após a criação do projeto foi a geração de oportunidades de trabalho para mulheres moradoras das próprias comunidades, que muitas vezes estão fora do mercado de trabalho formal.

Ana também observou melhora no desempenho escolar e profissional. “A correção visual impacta diretamente o aprendizado de crianças e adolescentes. Com o projeto ‘Parceiros da Visão nas Escolas’, problemas visuais são detectados precocemente, evitando que dificuldades de visão comprometam o futuro acadêmico dos estudantes em situação de vulnerabilidade. Para os adultos, os óculos permitem o retorno ou a melhora na execução de suas atividades profissionais”, pontua.

Além disso, o projeto pode impactar diretamente a democratização do acesso à saúde, o resgate da autoestima e a consciência ambiental. “Para além da visão física, o acesso a óculos novos e de qualidade promove um aumento significativo na autoestima dos beneficiários, permitindo que se sintam mais confiantes em suas interações sociais e rotinas diárias”, acrescenta Ana.

Atendimento em Itai-SP