No Novembro Negro — mês que celebra a história, a luta e a resistência do povo preto — o empreendedorismo feminino ganha ainda mais visibilidade nas favelas e periferias de Salvador. Histórias de mulheres negras que transformam desafios em autonomia financeira mostram como o negócio próprio se tornou ferramenta de sobrevivência, afirmação racial e transformação coletiva.
Dados do Sebrae e da PNAD Contínua (IBGE) revelam que mais de 73% dos empreendedores pretos e pardos atuam na informalidade, reflexo direto das barreiras estruturais no acesso a crédito, formação e oportunidades. Apenas 23,6% têm CNPJ, um número que escancara as desigualdades enfrentadas pela população negra — especialmente nas periferias.
Apesar desse cenário, mulheres empreendedoras como Dina Lopes, Flávia Santana, Helena Nascimento, Lívia Passos e Priscila Oliveira mostram que, quando a periferia cria, ela resiste. Seus negócios fortalecem autoestima, geram renda e reafirmam o papel central da mulher negra no desenvolvimento econômico e social das comunidades.
Comunicação como resistência na favela: Dina Lopes
Diretora e apresentadora do Conversa de Preta, da TV Kirimurê, Dina Lopes — moradora do bairro de Sete de abril— fez da comunicação seu instrumento de autonomia. Começou produzindo brincos afro em feiras de economia solidária e, com qualificação e articulação comunitária, chegou à direção de um programa dedicado a dar voz às mulheres negras.
Ela relata que enfrentou racismo, machismo e falta de crédito:
“Superei com esforço e qualificação. O Conversa de Preta é meu instrumento de resistência, um espaço para combater o silenciamento.”
Seu futuro? Promover empoderamento coletivo com base na Economia Solidária e no Bem Viver.










