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Com mais de seis décadas de atuação no combate à pobreza, o Instituto da Providência vem ampliando o impacto social em comunidades da Zona Oeste do Rio de Janeiro por meio do projeto Mulher Potência Empreendedora, que estimula o protagonismo feminino através da formação profissional e do fortalecimento de pequenos negócios em setores como gastronomia, moda e beleza.

Criado em 2022, o projeto já beneficiou mais de 1.700 mulheres e resultou na criação de 684 novos empreendimentos. Além disso, 364 empreendedoras receberam capital de giro de R$ 1.500 para investir em seus negócios. Em 2025, foram formadas 16 turmas, totalizando 1.160 horas de capacitação, com apoio técnico do Sebrae.

Os resultados mostram avanços significativos. Oito em cada dez participantes passaram a gerar renda própria após a formação, e a renda média das mulheres beneficiadas aumentou 3.298%, passando de R$ 24,48 para R$ 832,07. A renda familiar per capita também cresceu expressivamente, de R$ 28,91 para R$ 419,94, um salto de 1.352%.

Entre as beneficiárias, 80% são chefes de família, 79% se declaram negras ou pardas, 76% têm mais de 30 anos e 54% não concluíram o ensino médio. O perfil reflete a realidade das mulheres periféricas que, muitas vezes, sustentam sozinhas o lar e encontram no empreendedorismo uma alternativa de autonomia financeira.

A metodologia do projeto, reconhecida pela Fundação Banco do Brasil como Tecnologia Social, combina desenvolvimento socioemocional, capacitação técnica e incentivo à geração de renda. O instituto também mantém a Rede Negócio de Mulher, que acompanha mais de 1.200 empreendedoras em fase de aceleração, com mentorias, trocas e práticas de mercado.

Segundo Jocilene Julião, gerente de projetos sociais do Instituto, o apoio financeiro e a capacitação têm gerado impacto direto nas comunidades.

A importância da iniciativa foi destacada em um estudo publicado na revista Administrative Science Quarterly, assinado pelo pesquisador Leandro Pongeluppe, da Universidade da Pensilvânia. A pesquisa aponta que o empoderamento econômico de mulheres periféricas tem efeito multiplicador: cada R$ 1 investido gera um retorno estimado de R$ 2,37 para a economia.

Para a diretora executiva do Instituto da Providência, Maria Garibaldi, o projeto também valoriza a cultura popular carioca.

“A valorização da cultura periférica do Rio de Janeiro se consolida pelo fortalecimento das camadas da população que são o berço da criação de uma indústria cultural espontânea. Moda, beleza e gastronomia são setores acessíveis e promissores para quem vive na ponta”, destaca.

Fundado há 65 anos por Dom Helder Câmara, o Instituto da Providência é uma organização sem fins lucrativos voltada à inclusão produtiva e ao desenvolvimento humano. Com atuação nacional, a instituição já impactou mais de 4,7 milhões de pessoas e tem parcerias com entidades como Sebrae, Fundação Brava, Instituto Stone, Instituto Phi, SC Johnson e White Martins.